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Neivo,
um deputado com múltiplas preocupações
Artigo de Aramis Millarch originalmente publicado
em 16 de fevereiro de 1992 Quando Neivo Beraldin decidiu
candidatar-se a uma cadeira na Câmara de Curitiba, há 10
anos passados, muitos ironizaram o fato. Gaúcho
de Erechim, tendo chegado ao Paraná nos
anos 60 e mais conhecido na área artística
do que política, Neivo - e seu irmão
Ary - circulavam Paraná afora como empresários.
Eficientes, honestos e principalmente bem relacionados
acompanhavam nomes populares por shows em todas
as partes e ninguém pensaria que deixariam
tão cedo este setor - na época
em que tinham como principal concorrente outro
paranaense de ação, o pernambucano
Avelar Amorim. Entretanto, os Beraldins, com
o entusiasmo da juventude tinham projetos maiores.
Ary, o mais
velho, acabou indo para São Paulo onde
se tornaria empresário bem sucedido na área
têxtil, inicialmente associado ao grupo
Scarpa, depois com vôos próprios.
Neivo, no início sem deixar totalmente
o empresariado artístico, aproximou-se
de outro jovem que fazia carreira política
- Álvaro Dias e, por sua lealdade, se
tornaria um de seus principais assessores. Assim,
quando o então Senador eleito quis formar
uma base parlamentar no Legislativo e Câmara
em Curitiba, suporte para vôos maiores
- que o conduziriam a sucessão de José Richa,
em 1987, Neivo foi lembrado como um nome para
disputar a Câmara de Curitiba. Estimado, trabalhando bastante
e procurando espaço em várias frentes, Neivo
se revelaria um dos mais atuantes vereadores,
em condições de disputar as eleições
para a Assembléia Legislativa. Não
chegou a ser eleito, mas ficou numa suplência
confortável que o levou a ser convocado
para a vaga quando o deputado Scarpelini assumiu
a Prefeitura de Apucarana. Neste período,
entre a Câmara e o Legislativo, Neivo ocupou
várias funções, inclusive
a subchefia da Casa Civil. Eleito em 1990 com 16.277 votos,
mostraria na Assembléia um dinamismo surpreendente,
com preocupação em vários
setores. Assim, merecidamente, na escolha dos
melhores parlamentares, feita pelos jornalistas
que cobrem a área. Neivo Beraldin foi
eleito, folgadamente, o melhor deputado no período
1990/91. Afinal, ele tem mostrado trabalho.
Desde o projeto de lei que o governador Roberto
Requião
transformou em decreto-lei 974, beneficiando
os municípios com royalties ecológicos
até a preocupação de regulamentar
os rodeios que se multiplicaram pelo Estado tem
merecido sua atenção. Voltado a
questões ecológicas, Neivo desenvolveu
o projeto-de-lei que criou uma compensação
financeira aos municípios que possuem áreas
de preservação do verde ou de mananciais
de abastecimento como é o caso de Piraquara,
que sedia as fontes que garantem a água
de Curitiba. Outra grande preocupação ecológica
de Neivo, inimigo do discurso demagógico
e que se preocupa em ações concretas, é a
questão do transporte coletivo. Corajosamente,
foi quem levantou na Assembléia as propostas
para que o governo acabe com o monopólio
de transporte intermunicipal de passageiros.
Interesses poderosos, dos grupos que tradicionalmente
se beneficiam com o cartel dos transportes coletivos
não assustam Beraldin, em sua tradição
de gaúcho bom de briga, "sempre que
o interesse público é a finalidade" esclarece. Identificado aos problemas urbanos
- o que o credencia, com boas condições a
ser um forte candidato do PST à sucessão
de Lerner, Beraldin foi quem idealizou, no ano
passado, um grande seminário para discussão
de questões ligadas à região
metropolitana. A partir de então, vem
se aprofundando nesta área, buscando boa
assessoria para formular um verdadeiro plano
de trabalho. Casado com a Fonoaudióloga Irene Martins
de Souza Beraldin, sabendo posicionar-se com
lealdade - tanto é que acompanhou seu
amigo Álvaro Dias, quando este passou
para o Partido Social Trabalhista (após
mais de 10 anos de militância do PMDB),
Beraldin, sem politicagem, mas sinceramente diz:
- "Sou um homem de ações claras
e definidas. E disto jamais abrirei mão!" |