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Pronunciamentos

SENHOR NEIVO BERALDIN ( Grande Expediente ): Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados. Até solicitei nessa tarde para ocupar o Grande Expediente para falar sobre a Federação das lndustrias do Paraná sobre o grande caos administrativo que ocorre na Federação dãs Industrias do Paraná baseado no relatório do Tribunal de Contas da União. E o que se verifica é que é um escândalo na política administrativa do Paraná . E agora dessa vez trata-se da questão da FIEP. Mas Senhoras e Senhores Deputados, eu poderia também falar nesse Grande Expediente sobre outros temas que interessam a sociedade do Paraná . Mas não vou me aprofundar neste tema, tendo em vista que hoje faltam muitos Deputados. Já que o Deputado Jocelito Canto levantou o tema que é bastante pertinente que é a questão do Tribunal de Contas do Estado do Paraná . Tenho pelos técnicos do Tribunal de Contas um grande respeito, mas até que atualmente os Conselheiros têm se comportado melhor, mas o passado do Tribunal e eu não preciso ir muito longe. É só chegar no rombo do Banestado.

Como que acontece um prejuízo, perto de dezenove bilhões de reais ao povo do Paraná, sendo que o Tribunal de Contas não analisou e nem aprovou na época nenhuma empresa do Conglomerado Banestado?

Como que a Banestado Leasing oferece um bilhão de reais de prejuízo e o Tribunal de Contas tinha uma sala ao lado do Presidente do Banco do Estado do Paraná? E o Ministério Público também. E o Banco Central também. Então, como é que naquela época, por exemplo, só para uma reflexão, o Ex-Presidente empresta perto de cinco milhões de dólares para o Moinho São Jorge de São Paulo, para que ele comprasse farinha na Argentina e quando foram cobrar o dinheiro emprestado, sabem o que constataram lá? Não tinha farinha! Então não tinha aval, então não tinha garantia. Será que ninguém viu que dentro daquele Banco eram repassados recursos de publicidade e propaganda com retorno de valores para o Secretário de Comunicação da época, para os diretores do Banco de Comunicação? Uma auditoria interna levou essa auditoria para o Presidente do Banco do estado da época. O que aconteceu com a auditoria que levou ao conhecimento do Presidente do Banco do Estado da época, que levou ao conhecimento do Vice-Presidente do Banco da época? O que hoje os documentos retratam?

Aliás, eu encaminhei na condição de Presidente da Comissão de fiscalização e Controle desta Casa, para a Presidência dessa Casa em 2005 e certamente, esse assunto deve estar sendo tratado pelas autoridades competentes. Eu queria dizer muito mais. Como que o Tribunal de Contas daquela época não viu que a Corretora Banestado comprava títulos podres por valor de face e por uma empresa que não tinha sequer 5% de capital, que era a empresa Divalpar, que vendeu

as ações para a Corretora Banestado, mais de 50 milhões de reais?

Como que ninguém viu naquela época, que o Estado do Paraná do Paraná comprou as ações da Sercomtel de Londrina? Como pode uma empresa, de capital fechado, como é a Sercomtel de Londrina, vender ações à Corretora Banestado? Londrina recebeu em torno de 12 milhões de dólares na época e até hoje não se sabe porque as contas de Londrina, pasmem senhores Deputados, até há pouco tempo atrás não tinham sido remetidas para a Câmara de Vereadores de Londrina, desde 1993. Elas estavam dormindo aqui no Tribunal de Contas do Paraná, desde 93.' Agora que fico a me perguntar como é que os vereadores de Londrina, de 93, 94, 95, 96, 97, 98, 99, 2001, 2002, 2003 e dois mil e não sei quanto? Como é que eles aprovavam o

Orçamento sem analisar as contas da Prefeitura, que era alvo de manchete nacional, de corrupção? Como é que nós aqui estamos analisando um Orçamento para o ano que vem, sem analisarmos o Orçamento, a aplicação do Orçamento de 2002, 2003, 2004 e 2005? Por que é que isso acontece aqui? Por que o povo é bobo? É porque o povo não agüenta mais. Nós não estamos aqui cumprindo na plenitude o nosso dever. Quero ver as contas aqui, não como aconteceu em 2002, quando aprovamos as contas do primeiro Governo Requião e as contas de oito anos do Governo Lerner num único dia aqui, na última semana, sendo que eu tinha conteúdo suficiente para analisar quadrimestre a quadrimestre. Para discutir quanto se aplicou em saúde, em educação, segurança, transporte, ciência e tecnologia.

Sabe o que aconteceu? Foi um plenário quieto, calado. E aí se aprovou doze anos de Governo. E agora estamos caminhando o mesmo caminho. Essa Presidência não tem outra atitude diante do assunto levantado aqui, de não colocar essas contas para que seja analisado por esse Plenário. Porque eu notifiquei a Comissão de Tomada de Contas dessa Casa para que me provasse baseado no balanço aprovado, auditado pelo Tribunal de Contas, para que me provasse baseado em que, a Comissão de Tomada de Contas deu Parecer favorável para que esse plenário venha a aprovar.

Quero que essa Presidência exerça o seu poder. Coloque as contas aqui em plenário que é exatamente competência de V. Exa não é de outro não. É V. Exa que decide e vamos discutir a aplicação do dinheiro do povo quadrimestre a quadrimestre, setor a setor, saúde, segurança, comunicação tudo que possa acontecer. Até mesmo, posso adiantar a V. Exas, que não houve sequer um período que o Governo tenha respeitado o Orçamento elaborado e aprovado por essa Casa. Houve uma bagunça, onde se transferiu o dinheiro da saúde para outro setor. Ciência e Tecnologia para outro setor, Habitação para outro setor. Quando é que nós vamos discutir quanto se gastou de diária. A nossa Cohapar, quanto foi de diária. Quando nós vamos discutir com profundidade as obras realizadas por todos os Governos. Obras superfaturadas que não corresponde COl11 edital de licitação, que não corresponde absolutamente com àquilo que foi licitado com ordem de serviço. Porque o projeto é uma coisa e a execução é outra. Até o engenheiro do DER foi parar em Maringá recentemente. Tenho grandes dúvidas em relação a muitas das obras realizadas nesse Estado e nesse país. Não estou vendo manifestação suficiente para que a gente diga a verdade ao povo do Paraná. Essa é a grande dúvida. Vou dar um exemplo: Aplicação em saúde. Vamos puxar 2004 se gastou 9,07 quando a Constituição e o nosso Orçamento determinavam 12. Mas se gastou 9,07 porque incluía o Saneamento Básico, porque incluiu o leite das crianças, porque incluiu a despesa com o Sudersha, porque incluiu uma centena, uma dezena de itens para chegar a esse patamar. Quando o Governo fez uma publicidade do rádio e da televisão dizendo que gastamos um bilhão em saúde. Eu notifiquei o Secretário de Saúde na condição de Presidente. Ele me provou ter gasto 36 milhões. Como que a televisão e o rádio aceita um bilhão de gastos em saúde quando o governo na verdade gastou 36 milhões.

Então, é este o momento, meus amigos, senhoras e senhores Deputados. Vamos cumprir nosso papel! Senhor Presidente, o apelo que faço a V.Exa e faço em Questão de Ordem: V.Exa vai ou não vai colocar as contas para que esta Casa tenha responsabilidade e cumpra seu dever de aprovar as contas de 2002, 2003, 2004 e 2005?

PRESIDENTE (Pedro Ivo): Deputado Neivo Beraldin, esta Presidência pode se responsabilizar por este período no qual estamos à frente dos trabalhos aqui da Assembléia, como Presidente. Como vice-Presidente, não faço parte da Mesa Executiva, porque não passou por mim estas discussões.

DEPUTADO NEIVO BERALpIN: V.Exa responde oficialmente.

PRESIDENTE (Pedro Ivo): Mas, nós vamos acatar sua sugestão. V.Exa pode encaminhar o pedido por escrito para que possamos retornar. E se houver tempo hábil, dentro do período no qual estarei à frente da Presidência, nós colocaremos à apreciação dos Senhores Deputados, as contas.

DEPUTADO NEIVO BERALDIN: Senhor Presidente Pedro Ivo, não cabe um requerimento deste Deputado. Cabe a decisão de V.Exa. V.Exa vai ou não vai colocar para o Plenário discutir as contas, já de anos passados? Não é de ontem, não.

PRESIDENTE (Pedro Ivo): Nós vamos analisar suas reivindicações, Deputado. Dentro das possibilidades, faremos o possível para que as contas venham. Nós temos o orçamento do Estado para ser aprovado, nos próximos dias. Já está sendo distribuído para os Senhores Deputados. Mas, estamos com dificuldades de quórum, Deputado Neivo. Inclusive, ontem, com muita dificuldade conseguimos aprovar Ordem do Dia dois projetos importantes.

Mas, sua solicitação será analisada. Espero que hoje tenhamos quórum para dar continuidade ao menos a estes projetos que estão na pauta.

DEPUTADO NEIVO BERALDIN: V.Exa vai compreender que a hora em que se colocar na Ordem do Dia a análise das contas, ah! Como vai dar quórum.

Ah! Como o governo tem a maioria. Ah! Virá aqui a tropa de choque! E este é o grande momento no qual quero chamar a atenção, porque estou me despedindo. Até quando vamos analisar?Vamos nos calar diante da voz calada deste Poder em relaçãó a isto? Até quando não vamos cumprir nossa função regimental, constitucional, função esta delegada pelo voto sagrado do povo do meu querido Estado?

Concedo, com muita honra, aparte ao companheiro Deputado Scarpelini.

Deputado José Domingos Scarpelini (aparte): Deputado Neivo Beraldin, estou atento às suas palavras e eu discordo de V.Exa quando V.Exa diz que está se despedindo do parlamento.

V.Exa está fazendo um pit-stop para uma calibragem de pneus, abastecer um pouco o tanque. Mas, V.Exa voltará, com certeza, a esta Assembléia. V.Exa é segundo suplente de uma Bancada que certamente vai ganhar o governo do Paraná e não vejo a menor chance de V.Exa ficar fora da Assembléia. E também pelo seu trabalho, pelo que V.Exa já desenvolveu, aqui, não se despeça, por enquanto. Não é nenhum motivo para que uma classificação como teve nesta eleição faça V.Exa se despedir, assim, daqui da Assembléia Legislativa do Estado do Paraná. Vejo com outros olhos. Isto é uma pequena mágoa que muitas vezes está comendo por dentro. Eu sei exatamente o que V.Exa está passando. Já passei por isto, por aqui,algumas vezes. E eu não vou me despedir tão cedo, também, da Assembléia Legislativa do Estado do Paraná assim. Porque tem um trabalho seu desenvolvido aqui, que com a sua presença ou não este trabalho vai estar aí, respondendo pelo seu mandato. Se vão colocar em votação agora ou no ano que vem, não é problema só seu. É problema de todos os Deputados que estão aqui. E o problema maior é da Mesa Executiva da Assembléia Legislativa do Estado do Paraná.

V.Exa cumpriu o seu papel. Fez a sua vez. Fez a sua parte. Agora, a responsabilidade cabe mais aos outros do que a V.Exa. A sua cobrança é oportuna.

Eu ouvi V.Exa falar sobre um Secretário de Estado que pegava dinheiro de volta...

Neivo BEraldin: Vamos lá. Foi feito uma análise então por amostragem, e os nomes que ressalto, evidentemente que Vossa Excelência quer esses nomes em público, e eu vou, sem nenhum constrangimento, até porque cumpro a minha função como Parlamentar, e como Parlamentar e como homem público eu não posso prevaricar, se é um crime maior que acontece nesse País e nesse Estado é exatamente a omissão da informação e da verdade, porque um Governo assume e diz que o que passou roubou, fez tudo isso, mas nenhum representou oficialmente, então houve crime de omissão, e eu não vou comete-Io, como não o cometi até agora.

César Augusto Lopes, foi do Banestado - 126.809,16 dólares;

Luis Fábio Campana, Secretário de Estado, recebeu em sua conta corrente, como retorno, comprovado e recomprovado - 40.545,00 dólares.

Estou falando de uma amostragem. Não estou falando do conteúdo completo, de onde o Presidente do Banco, na época, deveria ter ido a fundo, porque os auditores identificaram e mostraram a ele que havia esse pagamento com retorno de valores e o Luis Fábio Campana era Secretário de Estado da Comunicação.

Na diretoria do banco também estava Roberto Carneiro da Silva Gribel, que recebeu 5.292,14 dólares. Também estava o atual assessor do Governador:

José Benedito Pires Trindade. José Benedito Pires Trindade circula, hoje, dentro da Secretaria da Comunicação Social. Nessa amostragem ele foi muito modesto.

Ele recebeu, apenas, 5.865,22 dólares.

No total dessa amostragem de treze empresas...

O Sr. Jocelito Canto: Deputado Neivo, um Aparte, por favor? Só para tirar uma dúvida?

Eu queria saber como era devolvido esse dinheiro, Deputado?

O SR. NEIVO BERALDIN: Na conta corrente dentro do próprio banco.

Recebia do banco e já depositava na conta.

O Sr. Jocelito Canto: Quem depositava?

O SR. NEIVO BERALDIN: Estou dizendo que nós fizemos o levantamento...

O Sr. Jocelito Canto: Mas quem depositava?

O SR. NEIVO BERALDIN: As empresas que recebiam o dinheiro. As empresas de publicidade e propaganda que recebiam dinheiro...

O Sr. Jocelito Canto: E consta no depósito o nome dessas empresas?
o SR. NEIVO BERALDIN: Sim, consta. Consta o ticket da máquina, consta o

cheque nominal, consta a conta corrente, consta, literalmente, tudo, porque nós tivemos na CPI a quebra do sigilo do Banco Central e, também, das auditorias do Banco do Estado de 90 a 2000.

o Sr. Jocelito Canto: Deputado Neivo, e se algum desses nomes que o Senhor citou prestou, de repente, algum serviço a algumas empresas? Não pode ter algo haver? Não são homens de marketing e de imprensa?

Fazendo a parte do advogado do diabo aqui, de repente, não pode ser um serviço prestado?

o SR. NEIVO BERALDIN: Meu querido, ele não pode ser servidor público e

prestar serviço para empresa privada. Isso não tem a mínima hipótese.

o Sr. Jocelito Canto: Estou só perguntando a V. Exa. para não cometer, de repente, nenhuma...

o SR. NEIVO BERALDIN: Não há condições de você ser o mandante e lá na ponta receber comissão.

o Sr. Jocelito Canto: Mas pode ser comissão que ele estaria recebendo? Não pode ser um serviço prestado?

O SR. NEIVO BERALDIN: Como é que no dia seguinte o dinheiro volta para conta do Secretário e dos funcionários?

O Sr. Jocelito Canto: Isso tinha haver, Deputado Neivo, com valor expedido que dava uma porcentagem exata?

O SR. NEIVO BERALDIN: Exatamente.

O Sr. Jocelito Canto: Bate os números?

O SR. NEIVO BERALDIN: Bate tudo.

O Sr. Jocelito Canto: Quanto por cento?

O SR. NEIVO BERALDIN: Não posso precisar agora, mas a documentação está disponível a esta Casa, como já está desde 2005 e muito antes, porque sempre procurei revelar todos os fatos para não cometer o crime da

prevaricação. Esse é o crime que vem sendo cometido ao longo dos anos neste Estado do Paraná.

Dizem que as coisas estão erradas, mas só se diz na televisão, não se coloca no papel, não se coloca na documentação, não se coloca o Ministério

Público para que possa agir. Então, Senhoras e Senhores Deputados, este país tem que ser passado a limpo sim, mas tem que ser passado a limpo com a verdade.

Não pensem que são poucos os devedores do Banestado! Tem muito figurão por aí que está desfilando como se fosse o bacana, mas ajudou a enterrar o Banestado e o povo está pagando essa maldita conta!

Era isso, Srs. Deputados, muito obrigado!

 

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