SR NEIVO BERALDIN:
Deputado Kielse, o tema que Vossa Exa. Aborda na tribuna, é um
tema que o povo do Paraná tem chorado “lagrimas
de sangue”. As pessoas estão nas filas buscando
remédio, em postos de saúde e casas para
morar, enquanto estamos pagando uma divida mensal, por
conta do rombo do Banestado, até março de
2029. Esse dinheiro, 60 milhões e pouco por mês,
daria parra fazer perto de 4 mil casas populares, por mês.
O interessante é que tínhamos um banco público
o Banco do Estado do Paraná. Sabemos que quem é responsável,
pelo controle do sistema financeiro brasileiro, é o
Banco Central, que quando notou que o Banco do Estado estava
dando esse rombo financeiro para o Estado, ele deveria
ter decretado a intervenção do Banestado,
federalizado o banco, como fez em outros Estados.
Aqui, no Paraná, o governo da época preferiu
contrair um empréstimo, sanear o prejuízo
do banco, para esconder os administradores, que meteram
a mão, administraram mal, que deram esse dano e
prejuízo ao Banco do Estado. Assistimos que hoje
foi socializado o prejuízo. Eles não foram
devidamente denunciados a publico. Na época a CPI
ouviu a então diretora do Banco Central, Tereza
Grossi, que disse que o Banestado estava sendo administrado
por uma quadrilha.
Tenho verdadeiro nojo de
falar em nome do Banco Itaú,
porque são pessoas que se aproveitaram de uma situação.
Tenho verdadeira tristeza e irritação, em
saber que paranaenses que governaram nosso Estado, tenham
feito isso no passado. A CPI feita nesta Casa revelou e
encaminhou ao Ministério Publico Estadual e Federal.
Ainda senão bastasse escrevemos um livro, para que
ficasse na memória a população do
Estado e para que ele fique marcado na vida, desses que
não sem dó e paixão roubaram nosso
povo. Obrigado.
SR NEIVO BERALDIN
Senhor Presidente, Senhoras
e Senhores Deputados. Hoje, Deputado Reni, voltamos a
discutir mais um capitulo do
Banestado. Vou votar a favor, embora Vossa Excelência
não tenha me pedido voto como Líder do Governo.
Mas vou votar a favor. Vou votar a favor com uma magoa
dentro do peito, porque quando esses títulos, títulos
podres foram emitidos por Osasco, Guarulhos e Maranhão
e outros, Pernambuco e Santa Catarina a carteira do Banco
do Estado a corretora Banestado foi lá e comprou
com o nosso dinheiro, do povo do Paraná, 428 milhões
de reais esses títulos. Alias o ex Senador, hoje
Governador Requião questionou isso no Senado longamente
a validade desses títulos. E o Banco Central pouco
se lixou, da época, e na verdade nos assumimos,
compramos esses títulos por mãos de paranaenses
irresponsáveis, sem amor no coração
e sem piedade dos mais humildes. Porque os mais humildes
hoje não tem as 4 mil casas populares por mês,
como disse muito bem o Deputado Jocelito Canto, não
tem 4 mil casas populares a mais por mês porque nos
recebemos no repasse Estado menos 65 milhões de
reais todos os meses, tabela Celic até Março
de 2029. Mas sinceramente se fosse Governador de Alagoas
eu pediria desculpas ao povo do Paraná por ter emitido
algo que não tinha validade real. E agora vem pedir
desconto da sua conta. Agora prestem atenção,
o Banco Itaú comprou esses títulos por 2%
do seu valor. Quando o Itaú comprou os títulos
a receber por 2% do valor de face. E o governo Lerner na época
ainda teve a coragem e a cara de pau de dar como garantia
a esses títulos ações da copel, de
uma empresa superavitária, de uma empresa lucrativa,
de uma empresa que gera a energia mais barata que podemos
ter no mundo, que é a energia através das
forças das nossas águas. Então, hoje
se temos brasileiros, banqueiros do Itaú tenham
piedade do povo, liberem o Paraná Senado Federal,
libere o Paraná dessa multa, porque essa multa é injusta.
Vamos tentar recolocar as coisas dentro dos trilhos. Se
no passado não tivemos responsabilidade com os nossos
Governantes. Vamos hoje na condição de responsável
o Banco Central, também é responsável.
Alias o Banco Central é o único responsável,
porque ele tem a incumbência de fiscalizar os agentes
financeiros desse país. O Banco Central estava junto
na presidência do Banco do Estado vendo um banco
do Estado sendo sacado, sendo roubado. Por que não
interviu? Por que não federalizou? Esta era a grande
questão. Fez com outros estados, federalizou outros
bancos. O povo, dos outros estados que tinham bancos públicos
não estão pagando essa conta que estamos
pagando.
Mas assim não agiu o Banco Central. Sabe por quê?
Porque o Governo da época espertamente e rapidamente
quando viu que o Banestado estava sendo administrado por
uma quadrilha – segundo disse Tereza Grossi então
Diretora do Banco Central – rapidamente contraiu
um empréstimo para sanear o banco. Para pagar seu
rombo em todas as treze empresas dos conglomerados. Reformou
as 400 agencias. Deixou tudo bonito. Abriu a dataroom do
banco para que os interessados pudessem comprar rapidamente.
Houve gloria, houve festa
quando se vendeu o banco por 1 bilhão e 600. Um banco que tinha mais de 1500
imóveis: prédios, fazendas, títulos
a receber. Um banco de 70 anos de historia, tradição,
de uma economia de um Estado que tem 23 bilhões.
Olha eu digo isso, alguém pode dize, refletir:
será que no passado o Banco do Estado não
dava prejuízo, não tinha corrupção?
Tinha.
Mas, em 95 o Governo Lerner
escreveu uma carta confidencial ao Banco Central, quando
disse: O banco do Estado tem 303
milhoes de ativos. O Banco do Estado é importante, é fundamental
para a nossa economia do Paraná, nós temos
que manter o nosso banco.
1996, duzentos e poucos
milhões de prejuízo.
1997, quinhentos e poucos milhões de prejuízo.
1998, dois bilhões e oitocentos milhões de
prejuízo.
Então não sei como essa gente ainda consegue
caminhar nas ruas, ainda conseguem olhar para os parceiros
paranaenses, brasileiros, ainda consegue ser: Oh, Sua Excelência.
Sua Excelência, o senhor malandragem. Uma verdadeira
quadrilha que se apoderou do nosso dinheiro. Daí eu
compartilho com o Governador Requião essa magoa.
Essa brinca que tem que ser paranaense.
Por isso, tenho fé que o Senador Osmar Dias, em
Brasília, vai conseguir fazer com que o Banco Central
assuma essa responsabilidade e libere o Paraná dessa
multa. Para fazer justiça a um povo que trabalha,
a um povo que quer progresso.
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